Tenho revisto meus antigos estudos sobre Filosofia Hermética e as vezes parece estranho certas associações que podemos fazer entre imagens. Hoje meditei sobre a misteriosa "Invocation" de Remedios Varo Uranga e mais uma vez, dentre outras obras que pretendo comentar, alí está presente uma corneta de caçador. É um trabalho curioso e, de alguma forma fico a imaginar a sensação de ser o único mortal numa sala, rodeado de enormes presenças espirituais...
A cena retrata uma jovem estranhamente vestida para a época, (que pela cor me remeteu à Saturno), com o olhar elevado, talvez em transe, soprando a corneta de caçador, que não está chamando os cães de caça, mas uma série de seres misteriosos, altos, de aparência distintamente aristocrática, que surgem das paredes quebradas, como saindo de uma outra dimensão. Todos eles parecem ignorar a jovem...
Tanto a elegante mulher com o seu copo de vinho ou o homem atencioso com aquela bengala sobre a qual queima uma pequena chama (ambos carregados de forte simbolismo Alquímico). É como se a jovem não estivesse alí a não ser pela juvenil entidade da esquerda que parece observá-la tranquilamente por trás de um adulto.
Será que, tal como eu, ele se pergunta porquê ela está segurando aquela bola de ouro na sua mão?
Por que ela invocou esses espíritos?
Eles são o que ela esperava?
Ou será que ela simplesmente queria um contato e todos os outros apareceram?
E a você aí, o que te parece?

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