10/16/2020

The White Goddess

Em 1948 a surrealista inglesa Leonora Carrington (1917-2011) comprou um exemplar do recém-publicado "The White Goddess: A Historical Grammar of Poetic Myth" do poeta britânico e classicista Robert Graves. Se trata de um estudo da natureza, de inspiração poética, em termos da mitologia clássica e celta. Carrington descreveu a leitura do livro como - a maior revelação da minha vida. Lá ela leu o argumento de Graves de que o antigo culto da Deusa Branca está ligado à 'poesia pura', um rito de invocação da "Mãe de Todos os Vivos", a Grande Deusa.  

Dez anos depois, em 1958, Carrington produziu esta pintura, sem título, mas geralmente conhecida como "A Deusa Branca". Aqui, um espírito feminino se ergue da uma lagoa límpida, em forma de meia lua, junto com o nascimento da primavera, no coração de uma floresta. Tem como companhia apenas animais: passarinhos à direita como mensageiros da boa nova, à esquerda, uma grande cobra em volta de um vaso transparente, protege seus ovos, símbolos de rejuvenescimento e renovação, enquanto no fundo um lobo enorme a observa fascinado e balança algo como uma jóia pendurada em sua pata, por um fio prateado (uma oferenda?). Ela parece estar tentando alcançá-lo com uma mão enquanto segura algo estranhamente parecido com uma lente de aumento na outra, como se ela estivesse direcionando a luz para o objeto. Essa obra está repleta de simbologia esotérica e como de costume, falar das obras complexas de Carrington só aprofunda o mistério em sua própria criação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário