E
neste domingo quente, seco e detestável, lhes apresento o nascimento de Athena,
Deusa da Sabedoria, que raríssimas vezes foi retratada nua. Aqui vemos uma das
exceções, que está no Emblema XXIII do Tratado alquímico - Atalanta Fugiens,
1617 do alquimista alemão Michael Maier (vide postagem de 22-fev) onde vemos o
nascimento de Palas Athena, da cabeça de Zeus. A versão mais comum de seu mito
é como filha partenogênica de Zeus, nascendo de sua cabeça.
E a versão mais antiga sobre o nascimento de Athena encontra-se na “Teogonia de
Hesíodo”, apresentado em duas variantes. Na primeira, Atena seria fruto da
união de Métis e Zeus. Métis, é uma personificação da prudência e do bom
conselho e a mais sábia dos imortais, foi a primeira esposa de Zeus.
Entretanto, Zeus foi avisado por Gaia, a Terra, e Urano, o Céu, de que a filha
que haveria de nascer de Métis, seria mais poderosa que o pai, e ele por
conseguinte, corria o risco de ser destronado. Através de um estratagema Zeus
enganou Métis e a engoliu. Não obstante, Métis gerou Athena no ventre de Zeus,
e a filha veio à luz pela cabeça do pai às margens do rio Tritão, já
completamente adulta. Na segunda versão Hesíodo disse que Athena fora filha
exclusivamente de Zeus, nascendo logo após seu casamento com Hera, o que teria
sido causa de um confronto com a esposa. Ela, injuriada, também deu nascimento
a um filho sem unir-se ao esposo: Hefesto.
Voltando ao Atalanta, o lema do emblema nos diz que "Quando Palas Athena
nasceu, o Sol estava em Conjunção com Vênus e choveu ouro em Rodes”. Zeus
queixou-se de uma dor de cabeça e Vulcano, ‘O’ cara dos deuses, ofereceu-se
para aliviar a pressão cortando-lhe a cabeça (muito prático e garantido). Aqui
vemos Vulcano realizando uma “cesariana incomum” com seu machado. Athena emerge
da cabeça do pai com a águia de Zeus, Ethon (filha de Tifão com Equidna) a
supervisionar o procedimento delicado. Na mito-alquimia, Athena é significativa
pois tem a cabeça-serpente da górgona Medusa, no seu escudo. Não se esqueça,
olhar, mesmo que de ladinho para Medusa, irá lhe transformar em pedra... Maier
declara que “o seu sangue (Medusa) não é nada além da tintura dos alquimistas”.
Ao fundo vemos o Sol ocupado carinhosa e sexualmente com Vênus e o cupido, como
sempre, pentelhando o casal. Maier explica, no breve texto, que a Ilha de Rodes
é conhecida pelos seus Jardins de Rosas (ligados a Vênus) e também pela enorme
estátua do Sol, o Colosso de Rodes, uma das 7 maravilhas do mundo. A milagrosa
chuva dourada (que vemos na imagem) deve-se à presença gerativa do Sol e,
aparentemente, pequenos sóis são concebidos por uma Vênus florida
(representação do cobre, em alquimia, que também tem uma cor rosa-dourada), e
principalmente o nascimento da Pedra Filosofal. Então nesta imagem, em primeiro
plano temos o nascimento da Sabedoria e em segundo plano o nascimento da
“Lapidis Philosopharum”!
"Ut quid vincat, non est sacrifice alium coaequalem. Hæc est Lex Magia. (A fim de ganhar algo, deve se sacrificar um outro de valor equivalente. Essa é a Lei da Magia)
9/11/2022
Palas Athena - Atalanta Fugiens
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