Numa postagem de “8 nov 2020”, mencionei a Feiticeira Circe, que creio, a maioria de vocês já conhece da - Odisseia de Homero - Feiticeira poderosa, filha do Deus Hélios e da Deusa Hécate, com a habilidade de transformar em feras, à seus serviços, aqueles que a desagradavam. Bastava um gole de sua poção e um aceno de sua varinha e o moribundo estaria transformado em um porco, onça ou cão feroz. Mas existe um lado ainda mais sombrio e mortal de sua natureza...
Ovídio nos fala do amor não correspondido do Deus do mar, Glauco, pela bela Ninfa, Scylla. Tão desesperados eram seus afetos que ele pediu a Circe que lhe preparasse uma poção do amor. Acontece que Circe se apaixonou por Glauco e ficou repleta de ódio, inveja e ciúmes da beleza e dos olhos verdes de sua rival. Então ela preparou um veneno e o derramou na piscina do mar onde Scylla se banhava regularmente, deixando-a assim com uma aparência monstruosa e terrível.
Em 1818, o poeta inglês John Keats recontou a história em “Endymion”, mas desta vez Circe não transforma Scylla em um monstro, apenas assassina a bela Ninfa. Nesta pintura “Circe and Scylla” (1886) do inglês pré-rafaelita John Melhuish Strudwick, vemos à esquerda a inocente jovem Scylla, vestida de branco, descendo os degraus da piscina para se banhar, enquanto à direita, uma Circe vestida de escuro, levemente ocultada pelas sombras e um pouco mais velha, está no limiar de uma câmara rochosa com um olhar distante e muito ciúme no coração, despejando o líquido venenoso na piscina. Gosto dos detalhes: livro de feitiços aberto atrás dela, lagarto a seus pés, morcego esvoaçando na fumaça do incenso perto de sua perna (e outro do lado de fora à direita), além daquela cobra longa, sinuosa e sem dúvida venenosa, deslizando na água. Um triângulo trágico, com todos perdendo no final.
Deixei passar algo?
Me conte você, o que acha dessa cena?

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