11/27/2020

Charon and Psyche

Aqui temos algo para os junguianos - Charon and Psyche" (1883) do pré-rafaelita John Roddam Spencer.

Imagino que muitos saibam sobre a necessidade de pagar a Caronte, o barqueiro, antes de ele carregar sua alma humana pelo rio Estige até o Hades (caso contrário, a alma estaria condenada a vagar pela terra como um fantasma por cem anos). Na mitologia grega, Caronte (em grego Chárōn) é o barqueiro de Hades, que carrega as almas dos recém-mortos sobre as águas do rio Estige e Aqueronte, que dividiam o mundo dos vivos do mundo dos mortos. Uma moeda para pagá-lo pelo trajeto, geralmente um óbolo ou dânaca, era por vezes colocado dentro ou sobre a boca dos cadáveres, de acordo com a tradição funerária da Grécia Antiga. Caronte era filho de Nix (a Noite) e Érebo (a Escuridão). Era também irmão de Hipnos (o Sono) e Tânatos (a Morte) (família graciosa).

Aqui na pintura vemos o momento de um de pagamento, com Caronte tirando delicadamente sua moeda da boca de Psiquê (Psychē), que na mitologia grega, é uma divindade que representa a personificação da alma. Seu mito foi narrado nos últimos tempos da Antiguidade, na história latina “O Asno de Ouro”, de Apuleio. Sua história é uma alegoria à alma humana, que é purificada por paixões e desgraças, e é, portanto, preparada para desfrutar da verdadeira e pura felicidade. Em várias obras de arte, Psiquê é representada como uma donzela com asas de borboleta, uma simbologia que significa que ela, como a borboleta, depois de uma vida rastejante como lagarta, flutua na brisa do dia e torna-se um belo aspecto da primavera.

Nessa passagem do mito de Eros e Psiquê, ela teve que realizar as “4 tarefas” para uma Afrodite cruel, ciumenta e vingativa antes que ela pudesse reconquistar seu amante, Eros (filho de Afrodite), nessa sequência:

1 - Os grãos: Psiquê foi colocada num quarto onde uma montanha de grãos de diversos tipos tinha sido misturada. Psiquê devia separá-los, conforme cada espécie, no espaço de uma noite. A jovem começou a trabalhar, mas, mal fizera alguns montículos e adormecera extenuada. Durante seu sono, surgem milhares de formigas que, grão a grão, os separam do monte e os reúnem consoante sua categoria. Ao acordar, Psiquê constata que a tarefa fora cumprida dentro do prazo.

2 - A lã de ouro: Afrodite pediu, então, que Psiquê lhe trouxesse a lã de ouro do velocino de ouro. Após longa jornada, Psiquê encontra os ferozes animais, que não deixavam que deles se aproximassem. Uma voz surge de juncos num rio e a aconselha: ela deve procurar um espinheiro, junto a onde os carneiros vão beber, e nas pontas dos espículos recolher toda a lã que ficara presa. Cumprindo o ditame, Psiquê realiza a tarefa, enfurecendo Afrodite.

3 - Água da nascente: Afrodite então lhe pede um pouco da suja água da nascente do rio Estige. Mas a nova tarefa logo se revela impossível: o Estige nascia de uma alta montanha tão íngreme, que era impossível escalar. Levando um frasco numa das mãos, a princesa queda-se ante a escarpa que se erguia à sua frente, quando as águias de Zeus surgem, tomando-lhe o frasco, voam com ela até o alto, enchendo-o. O trabalho, mais uma vez, foi realizado.

4 - Beleza de Perséfone: Afrodite percebeu que teria de usar de meios mais poderosos. Inventando que tinha perdido um pouco de sua beleza por cuidar do ferimento de Eros, pede a Psiquê que vá ao reino dos mortos (o domínio de Hades, também chamado de Tártaro), e peça à sua rainha, Perséfone, um pouco de sua beleza, em uma caixa. A deusa estava certa de que ela não voltaria viva. Mais uma vez, Afrodite se engana. Psiquê convence Perséfone a encher uma caixa com a sua beleza para Afrodite. Psiquê está indo de volta a Afrodite, quando pensa que sua beleza havia se desgastado depois de tantos trabalhos, não resiste e resolve abrir a caixa. Então, cai em sono profundo. Eros, já curado de sua queimadura vai ao socorro de sua amada, põe de volta o conteúdo na caixa, desperta Psiquê e ordena-lhe que entregue a caixa à mãe dele. Enquanto Psique entrega a caixa a Afrodite, Eros vai a Zeus e suplica que advogue em sua causa. Zeus concede esse pedido e posteriormente consegue a concordância de Afrodite e ela é finalmente tornada imortal. Psiquê ficou unida a Eros e mais tarde tiveram uma filha, cujo nome foi Hedonê a deusa do prazer.

Aqui vemos Psique a caminho de cumprir essa árdua tarefa.

Um adendum a várias obras de Roddam sobre o tema da vida após a morte, pintadas como parte da tentativa de chegar a um consolo com a trágica morte de sua filha de 7 anos, Mary.

 


 

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