Aqui temos algo
para os junguianos - Charon and Psyche" (1883) do pré-rafaelita John
Roddam Spencer.
Imagino que
muitos saibam sobre a necessidade de pagar a Caronte, o barqueiro, antes de ele
carregar sua alma humana pelo rio Estige até o Hades (caso contrário, a alma
estaria condenada a vagar pela terra como um fantasma por cem anos). Na
mitologia grega, Caronte (em grego Chárōn) é o barqueiro de Hades, que carrega
as almas dos recém-mortos sobre as águas do rio Estige e Aqueronte, que
dividiam o mundo dos vivos do mundo dos mortos. Uma moeda para pagá-lo pelo
trajeto, geralmente um óbolo ou dânaca, era por vezes colocado dentro ou sobre
a boca dos cadáveres, de acordo com a tradição funerária da Grécia Antiga.
Caronte era filho de Nix (a Noite) e Érebo (a Escuridão). Era também irmão de
Hipnos (o Sono) e Tânatos (a Morte) (família graciosa).
Aqui na pintura
vemos o momento de um de pagamento, com Caronte tirando delicadamente sua moeda
da boca de Psiquê (Psychē), que na mitologia grega, é uma divindade que
representa a personificação da alma. Seu mito foi narrado nos últimos tempos da
Antiguidade, na história latina “O Asno de Ouro”, de Apuleio. Sua história é
uma alegoria à alma humana, que é purificada por paixões e desgraças, e é,
portanto, preparada para desfrutar da verdadeira e pura felicidade. Em várias
obras de arte, Psiquê é representada como uma donzela com asas de borboleta,
uma simbologia que significa que ela, como a borboleta, depois de uma vida
rastejante como lagarta, flutua na brisa do dia e torna-se um belo aspecto da
primavera.
Nessa passagem
do mito de Eros e Psiquê, ela teve que realizar as “4 tarefas” para uma
Afrodite cruel, ciumenta e vingativa antes que ela pudesse reconquistar seu
amante, Eros (filho de Afrodite), nessa sequência:
1 - Os grãos:
Psiquê foi colocada num quarto onde uma montanha de grãos de diversos tipos
tinha sido misturada. Psiquê devia separá-los, conforme cada espécie, no espaço
de uma noite. A jovem começou a trabalhar, mas, mal fizera alguns montículos e
adormecera extenuada. Durante seu sono, surgem milhares de formigas que, grão a
grão, os separam do monte e os reúnem consoante sua categoria. Ao acordar,
Psiquê constata que a tarefa fora cumprida dentro do prazo.
2 - A lã de
ouro: Afrodite pediu, então, que Psiquê lhe trouxesse a lã de ouro do velocino
de ouro. Após longa jornada, Psiquê encontra os ferozes animais, que não
deixavam que deles se aproximassem. Uma voz surge de juncos num rio e a
aconselha: ela deve procurar um espinheiro, junto a onde os carneiros vão
beber, e nas pontas dos espículos recolher toda a lã que ficara presa.
Cumprindo o ditame, Psiquê realiza a tarefa, enfurecendo Afrodite.
3 - Água da
nascente: Afrodite então lhe pede um pouco da suja água da nascente do rio
Estige. Mas a nova tarefa logo se revela impossível: o Estige nascia de uma
alta montanha tão íngreme, que era impossível escalar. Levando um frasco numa
das mãos, a princesa queda-se ante a escarpa que se erguia à sua frente, quando
as águias de Zeus surgem, tomando-lhe o frasco, voam com ela até o alto,
enchendo-o. O trabalho, mais uma vez, foi realizado.
4 - Beleza de
Perséfone: Afrodite percebeu que teria de usar de meios mais poderosos.
Inventando que tinha perdido um pouco de sua beleza por cuidar do ferimento de
Eros, pede a Psiquê que vá ao reino dos mortos (o domínio de Hades, também
chamado de Tártaro), e peça à sua rainha, Perséfone, um pouco de sua beleza, em
uma caixa. A deusa estava certa de que ela não voltaria viva. Mais uma vez,
Afrodite se engana. Psiquê convence Perséfone a encher uma caixa com a sua
beleza para Afrodite. Psiquê está indo de volta a Afrodite, quando pensa que
sua beleza havia se desgastado depois de tantos trabalhos, não resiste e
resolve abrir a caixa. Então, cai em sono profundo. Eros, já curado de sua
queimadura vai ao socorro de sua amada, põe de volta o conteúdo na caixa,
desperta Psiquê e ordena-lhe que entregue a caixa à mãe dele. Enquanto Psique
entrega a caixa a Afrodite, Eros vai a Zeus e suplica que advogue em sua causa.
Zeus concede esse pedido e posteriormente consegue a concordância de Afrodite e
ela é finalmente tornada imortal. Psiquê ficou unida a Eros e mais tarde tiveram
uma filha, cujo nome foi Hedonê a deusa do prazer.
Aqui vemos
Psique a caminho de cumprir essa árdua tarefa.
Um adendum a
várias obras de Roddam sobre o tema da vida após a morte, pintadas como parte
da tentativa de chegar a um consolo com a trágica morte de sua filha de 7 anos,
Mary.

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