11/09/2020

Adeus - Vale

 


Tenho me empolgado com a Morte ultimamente, talvez por ser um encontro inevitável e cada vez mais próximo de cada um de nós. Aqui está uma “pintura silenciosa”, sombria e triste do pintor clássico inglês Arthur Hacker - “Vale” (1913), sendo “Vale” a palavra latina para “Adeus”. Aqui, no sentido da despedida final, no segundo derradeiro de separação e rompimento que como escreveu brilhantemente Suassuna – “nos leva de encontro ao único mal irremediável, aquilo que é a marca de nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de  condenados”... 

Na cena podemos ver o momento final de duas mulheres se afastando uma da outra, suas mãos ainda se tocando suavemente, a jovem à direita com luz atrás dela, seguindo com sua vida e a outra desaparecendo nas sombras, com aquelas flores de maracujá caídas a seus pés. É uma cena íntima, de introspecção, dor, amor e despedida que me fez refletir muito sobre esse pesar, esse fardo que a partida dos que amamos, nos lega.

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