
Aqui está uma pintura pré-rafaelita de Evelyn de Morgan
que expressa como eu me sinto, observando o comportamento de meus compatriotas:
“Hope in the Prison of Despair” (1887), obra que retrata uma cena alegórica por
meio de um arranjo simples com detalhes simbólicos em um estilo que lembra um
pouco Burne-Jones. Na cena vemos Esperança como uma mulher (talvez um pouco de
androginia) segurando uma pequena lanterna de ouro e a representação de um
casal se consolando, logo acima de sua cabeça. Ela está entrando na masmorra
onde Desespero é representada como uma jovem sobrecarregada e curvada pela dor
e tristeza, segurando a cabeça em um gesto de sofrimento, sem perceber a figura
alentadora atrás dela. Uma sensação de prisão é criada pelas portas e janelas
gradeadas, que são ecoadas pelos padrões retangulares proeminentes das paredes
de pedra e do chão e, mais obviamente, pela corrente no canto, mas notem que a
corrente não prende a mulher e há um espaço considerável nas grades da janela,
que a permitiria escapar do calabouço (talvez a luz da lanterna revelaria essa
possibilidade de sair dali ?).
Esperança está vestindo uma mistura de marrom terroso e
vermelho capeta, enquanto Desespero está vestida de preto, uma túnica fúnebre e
pesada. A áurea suave de Esperança sugere o conforto proporcionado pela fé
religiosa da própria artista, uma pintora britânica integrante do movimento da
Irmandade Pré-Rafaelita muito embora por suas características possa melhor ser
definida como simbolista e que viveu em Londres entre 1855 e 1919.
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