9/18/2021

Uroboru


Aqui está uma bela imagem que combina o fascínio pela alquimia e o amor pela arte, um exemplo do Realismo Fantástico criado inicialmente por Ernst Fuchs. A peça se chama “Uroboru” - 2002 (um palíndromo) e mostra a já esperada cobra mordendo o rabo, símbolo hieroglífico da eternidade e na alquimia, símbolo alquímico da destilação e da digestão. Ela circunda um recipiente retangular como uma fornalha básica, de onde as chamas queimam da madeira que, de alguma forma, me lembra a “sarça ardente” na qual Moisés (o Cabiro), ouviu pela primeira vez a voz de “Ehyeh Asher Ehyeh” (Eu Sou o Que Sou - em hebraico: אֶהְיֶה אֲשֶׁר אֶהְיֶה).

Essas chamas são equiparadas aos raios brilhantes de uma estrela que está no céu noturno e vão de encontro a ela, o que certamente alude à ideia de “Quod est inferius, est sicut quod est superius” da “Tabula Smaragdina”, a relação recíproca entre o céu e a terra. O cenário ou laboratório, fica sobre uma pilha de pedras nas quais são colocados um crânio, um osso e um par de compassos (que remetem à famosa imagem de Deus como geômetra ou arquiteto do universo). Na alquimia, o crânio e o osso simbolizam a “mortificação e a putrefação”, o estágio inicial do processo de transformação. E talvez também pode aludir ao Gólgota, onde Cristo foi supostamente crucificado.

Deixei passar algo?

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