Aqui está uma bela imagem que combina o fascínio pela
alquimia e o amor pela arte, um exemplo do Realismo Fantástico criado
inicialmente por Ernst Fuchs. A peça se chama “Uroboru” - 2002 (um palíndromo)
e mostra a já esperada cobra mordendo o rabo, símbolo hieroglífico da
eternidade e na alquimia, símbolo alquímico da destilação e da digestão. Ela
circunda um recipiente retangular como uma fornalha básica, de onde as chamas
queimam da madeira que, de alguma forma, me lembra a “sarça ardente” na qual
Moisés (o Cabiro), ouviu pela primeira vez a voz de “Ehyeh Asher Ehyeh” (Eu Sou
o Que Sou - em hebraico: אֶהְיֶה אֲשֶׁר אֶהְיֶה).
Essas chamas são equiparadas aos raios brilhantes de uma
estrela que está no céu noturno e vão de encontro a ela, o que certamente alude
à ideia de “Quod est inferius, est sicut quod est superius” da “Tabula
Smaragdina”, a relação recíproca entre o céu e a terra. O cenário ou
laboratório, fica sobre uma pilha de pedras nas quais são colocados um crânio,
um osso e um par de compassos (que remetem à famosa imagem de Deus como
geômetra ou arquiteto do universo). Na alquimia, o crânio e o osso simbolizam a
“mortificação e a putrefação”, o estágio inicial do processo de transformação.
E talvez também pode aludir ao Gólgota, onde Cristo foi supostamente
crucificado.
Deixei passar algo?

Nenhum comentário:
Postar um comentário