Aqui vemos “Das Grab des Osiris” (O Túmulo de Osíris,
1981) do realista simbolista austríaco Peter Proksch.
Osíris era conhecido com o Deus dos Mortos, além de ser a
divindade da vegetação, do julgamento e, em algumas referências, o Senhor do
Silêncio. Oriundo de Busíris, no Baixo Egito, foi primitivamente, a deificação
da força do solo, que faz a vegetação crescer; disto derivou seus atributos
posteriores, que o exaltam como o inventor da agricultura e consequentemente o
propiciador da civilização. Marido/irmão de Ísis e pai de Hórus, era ele quem julgava
os mortos na "Sala das Duas Verdades", onde se procedia à pesagem do
coração ou psicostasia.
Uma versão do mito de Osíris conta que seu irmão, Set (Typhon), movido pela inveja, decide engendrar um plano para matar Osíris. Auxiliado por “72” conspiradores, Set convidou Osíris para um banquete. No decurso do banquete, Set apresentou um magnífico sarcófago que prometeu entregar a quem nele coubesse. Os convidados tentaram ganhar a caixa, mas ninguém coube nela, dado que Set a tinha preparado para as medidas de Osíris. Convidado por Set, Osíris entra na caixa. É então que os conspiradores trancam-na e atiram no rio Nilo. A corrente do rio arrasta a caixa até ao mar Mediterrâneo, acabando por atingir Biblos (Fenícia). Ísis, desesperada com o sucedido, parte à procura do marido. Por fim em Biblos, Ísis descobre que a caixa ficou incrustrada numa árvore que tinha entretanto sido cortada para se fazer uma coluna no palácio real. Com a ajuda da rainha de Biblos, Ísis corta a coluna e consegue regressar ao Egito com o corpo do amado, que esconde numa plantação de papiros. Contudo, Set encontra a caixa e furioso, decide esquartejar Osíris em “14” pedaços e os espalha por todo o Egito;
Ísis, auxiliada pela sua irmã Néftis, parte à procura das
partes do corpo de Osíris. Ela conseguiu reunir todas, com exceção do falo, que
foi substituído por um feito de ouro (noutra versão, Ísis criou um falo com
caules vegetais). Ísis, Néftis e Anúbis procedem então à prática da primeira
mumificação. Ísis transforma-se em seguida num “milhafre (um gavião do Velho
Mundo)” que graças ao bater das suas asas sobre o corpo de Osíris cria uma
espécie de ar mágico que acaba por ressuscitá-lo; ainda sob a forma de ave,
Ísis une-se sexualmente a Osíris e desta cópula resulta um filho, o Deus Hórus
(por isso é representado com uma cabeça de falcão). Por algum motivo eu associo
essa imagem à carta do Julgamento, no tarô: temos Osíris de pé ressuscitado em
seu túmulo, conversando com Ísis, com o que parece Hórus entre eles.
O pequeno pássaro com cabeça humana à direita é presumivelmente seu “Ba”, parte da alma que sobreviveu à morte corporal, mas também tem a aparência do próprio autor.
Fantástico!

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