Pós uma sexta feira 13 e um evento celeste de certa
importância, aqui está “La Danse du Sabbat”, às vezes atribuído a Gustave Doré,
noutras a outro ilustrador francês, Émile-Antoine Bayard.
Nos registros de tradição místico/esotérica, em cada
sexta-feira 13 o que se espera é o Sabhat das Feiticeiras. E a festança vem
acompanhada do Treze... este símbolo numérico sugere feitiçaria e para muitos,
sua ocorrência no calendário é prenúncio de azar. Toda sexta-feira, entretanto,
acha-se associada à ideia do Sabhat, como ficou conhecido a partir da época
medieval o “festim em que as Bruxas reunidas banqueteiam e festejam na presença
do Demônio”. Também às sextas, à luz da Lua cheia, os amaldiçoados Lobisomens
se transformam e os vampiros propalam-se em vôo, sedentos de sangue, à procura
de suas vítimas. Mas, e quanto ao “maldito” número 13?
É o número da morte, do azar, do mau agouro, dizem alguns. Para outros, pode simbolizar a sorte por trazer em si as transformações, visto que o 13 representa o rompimento dos limites, a quebra dos padrões estatutários impostos pelo 12.
Se a noite for de Lua cheia então, affmaria…
Um pouco mais de pesquisa e encontramos o termo grego sabbathéos, literalmente “o Sabbhat Divino”, relacionado às sabátidas, festas dedicadas a Sabácio, o Deus Cabrito, Divindade da Ordem dos Cabiros, conhecida na Trácia e na Frígia, com atributos similares aos de Dionísio, ainda que não tão popularizada quanto este. As sabátidas já ocorriam anteriormente aos patriarcas bíblicos; e a seu Deus eram consagrados o trigo e a cevada, da qual se fermentava uma bebida inebriante, servida aos presentes. Sabácio era representado com chifres na cabeça, semelhante a Dionísio. Pan e Príapo eram igualmente cultuados nas sabátidas, ambos representados pela figura de faunos ou bodes, ou pelo falo que os substituía, espécie de bastão que todos traziam à reunião, invariavelmente noturna, na qual banqueteavam os convivas, sentados no chão sobre peles de animais caprinos, com as quais também se cobriam encarnando seu comportamento e imitando seus berros. Nesse culto agrário, uma virgem nua, símbolo da fertilidade, em alusão à Demeter (a Mãe-Terra), deitava-se sobre a mesa ritualística e recebia sobre o ventre as oferendas, geralmente o trigo e a cerveja, sendo ela própria após o banquete, oferecida à divindade caprina dona da festa, sempre encarnada por um sacerdote com máscara e chifres, vestido com pele de cabra, assim como os demais presentes. Ao final da festa, invocava-se o raio, talvez alusão ao mito dionisíaco, posto que esta divindade antes de renascer da coxa de Zeus fora fulminada e esquartejada por raios dos Titãs. Também a já desvirginada do altar, arrancava com sua boca a cabeça de um sapo e a cuspia ao chão, em alusão às Mênades possessas que dilaceravam os animais conforme descreveu Eurípedes de modo perturbador nas Baccantes. Estes eram os originais pagãos, cujas festas celebravam no pago, isto é, no próprio povoado, geralmente nos campos de suas comunidades, muitíssimo diferentes dos ritos da atualidade, cheios de glamour, comidas finas e selfies, muitas e muitas selfies.

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