Aqui estão duas das imagens que mais gosto dentro da
iconografia da velha Alquimia, a primeira é a arte de Daniel Mögling
(1596-1635), Rosacruz, médico da corte,
astrônomo e matemático, ele assina sob o pseudônimo de Theophilus Schweighardt,
e ela está em sua obra - Speculum Sophicum Rhodo-Stauroticum de 1618. Esta
imagem mostra um adepto orando no topo de uma colina diante de um tabernáculo e
é, sem dúvida, inspirado na figura mais conhecida de Heinrich Khunrath: Amphitheatrum
Sapientiae Aeternae de 1595 (segunda imagem).
Mögling, talvez mais religiosamente cauteloso do que Khunrath, colocou o Oratório acima do Laboratório, em vez de no mesmo “nível de igualdade”, e ele deixa isso claro com o rótulo “Ergon cum Deo”, lembrando que a oração é a atividade primária antes dos trabalhos, enquanto a Alquimia é uma empresa importante, mas subordinada à Deus, um “Parergon” (termo grego controverso, mas que aqui tem a intensão de se referir a algo separado - que está separado não apenas da coisa que enquadra, mas também do exterior). Nisso, ele está seguindo o primeiro manifesto Rosacruz, o Fama Fraternitatis de 1614, que afirmou que, para verdadeiros filósofos, "a fabricação de ouro é uma questão trivial e um Parergon".
Em sua gravura, Mögling apresenta o trabalho alquímico como uma atividade que ocorre ao ar livre, na natureza... à esquerda vemos uma pessoa possivelmente coletando o “orvalho celeste” e outra trabalhando na separação de ouro, dentro de um laboratório subterrâneo. A oração e o trabalho são mediados pela figura alada central, que também é a mais importante de toda a lâmina. Uma figura feminina muito semelhante à “Black Female Angel” do Aurora Consurgens (1420) que, como explica Mögling, representa a “Tabula de Smaragdina” – “Pater ejus est Sol, mater ejus Luna; portavit illud Ventus in ventre suo; nutrix ejus Terra est”. Ela está protegendo sua gestação (a Terra) e vem subindo de um pedestal com as palavras “Hinc Sapientia”
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