1/02/2021

Zdzisław Beksiński

Uma pintura bastante forte do surrealista polonês Zdzisław Beksiński (1929-2005) (eu simplesmente amo suas obras).

No topo da imagem podemos ler a famosa frase ligada ao primeiro imperador romano a se converter ao cristianismo (em seu leito de morte), Constantino I (c.272-337). A história conta que ele estava marchando com seu exército quando viu uma “cruz de luz” ou o signo “Chi-Rho” de Cristo acima do sol, com as palavras gregas "ἐν τούτῳ νίκα" (en toútōi níka), que são traduzidas para o latim como “In Hoc Signo Vinces” (com este sinal vencerás). À noite, Cristo apareceu a Constantino em um sonho e explicou que ele deveria usar o sinal da cruz contra seus inimigos (e já sabemos o horror que se seguiria dessa aparição) ...

Então esse é o pano de fundo, mas me fica uma imensa pergunta - o que Beksiński está tentando nos dizer nesta pintura? (o que por sinal é uma pergunta frequente em todas as suas obras que conheço)

Vemos um berço sinistro, um pouco incomum naquela região da Europa, vigiado por uma figura bastante ameaçadora, vestida em azul (uma estranha representação de Maria?). A marca da cruz é visível no berço, rústica, fúnebre e com aspecto de ter sido pirografada ou gravada a sangue (na lateral me parece um JR) e temos aquele pano branco saindo do berço (inocência?) que se encontra com o manto azul da figura sentada e toca os ossos que estão no chão, ainda com sangue, o que por algum motivo me faz pensar no crânio e ossos ao pé da cruz no calvário.

À direita, nas sombras, vemos duas algemas na parede com fios aparentemente frágeis, pendurados até os restos do esqueleto de um prisioneiro (que parecem ter o corpo peludo, como aranhas), enquanto acima, uma figura humana está suspensa como se crucificada na parede, esfolada viva e ainda sangrando, enquanto entra no estado de putrefação, com uma cruz marcada à ferro quente em sua barriga. Enquanto vemos seu rosto retorcido de dor e pavor, vem do alto uma horda de corvos que se alimentam de sua carne (não consigo imaginar o que possa ser o círculo azul com um ponto iluminado no centro).

Parece uma interpretação muito sombria da história triunfal, ou um presságio do suposto sacrifício de Cristo, mas talvez também, uma visão dos horrores que a “santa igreja” perpetuou por 300 anos em toda a Europa (por sorte, atualmente eles são apenas assassinos, ladrões e estupradores de crianças).

Deixei passar algo? E você, a que lhe remete essa obra magnífica?

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