O tema desta
bela imagem da artista inglesa pré-rafaelita Evelyn De Morgan (1855-1919) pode
ser surpreendente. Não é Eva com a serpente a tentá-la no Éden; nem uma
representação de Lilith, nem de Sin. Se trata de uma cena de amor, desespero e
dor. É o mito de "Cadmus e Harmonia" (do Livro 4 das
"Metamorfoses" de Ovídio). Depois que Cadmus já idoso, é transformado
em serpente pelos deuses, sua esposa Harmonia (filha de Ares e Afrodite)
implora por um destino similar, que lhe é concedido. Aqui vemos Harmonia no
derradeiro abraço do seu marido já transfigurado.
De Morgan
emprega alguma licença artística, pois no mito, Harmonia já deve ser bastante
envelhecida (pois ela é avó), mas aqui é retratada como uma jovem adorável,
amorosamente abraçada pelo marido, pouco antes de ela também se transformar em
serpente. Quando a pintura foi exibida
pela primeira vez, De Morgan incluiu estas palavras das
"Metamorfoses": “Achega-te, esposa, achega-te, infeliz, enquanto algo
de mim ainda resta, toca-me, e pega-me a mão, enquanto há mão e não sou todo
serpente.” (...) Ele lambia a face de sua esposa e os caros seios, como se os
reconhecesse, e abraçando-a, o seu pescoço procurava”

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